Hiroshima e Miyajima ficam a menos de uma hora de distância uma da outra, e encaixar as duas no mesmo roteiro é não só possível como recomendado. A maioria dos viajantes faz o trajeto como bate-volta a partir de Kyoto ou Osaka, mas dormir uma noite em Hiroshima muda completamente o ritmo — e permite ver o torii de Miyajima tanto com a maré alta quanto com a maré baixa.
Para visitar Hiroshima e Miyajima no mesmo roteiro, o caminho mais prático é chegar de shinkansen (1 h 40 de Kyoto, coberto pelo JR Pass), dedicar a manhã ao Parque Memorial da Paz e ao Museu da Bomba Atômica, e seguir à tarde para a ilha de Miyajima pelo trem JR Sanyo Line (25 min) mais o ferry JR (10 min, incluído no JR Pass). Com um dia inteiro, dá para cobrir os pontos principais dos dois destinos sem correria.
Como chegar a Hiroshima e Miyajima
De Kyoto ou Osaka, o shinkansen Nozomi leva cerca de 1 h 40 até Hiroshima Station — mas atenção: o Nozomi não é coberto pelo Japan Rail Pass. Se você tem o JR Pass, use o Hikari ou o Sakura, que fazem o mesmo trajeto em cerca de 2 h. O bilhete avulso Kyoto–Hiroshima custa ¥11.210 por trecho (julho/2026), o que sozinho já justifica o passe se a viagem incluir mais de dois trechos longos.

De Hiroshima para Miyajima, pegue a JR Sanyo Line na Hiroshima Station até Miyajimaguchi (25 min, ¥420). Da estação, são 5 minutos a pé até o terminal de ferry. O JR West Miyajima Ferry cobra ¥200 por trecho e está incluído no JR Pass — e faz uma rota especial que passa mais perto do torii flutuante. A alternativa é o ferry da Matsudai Kisen, mesmo preço, mas sem a rota do torii e sem cobertura do JR Pass.
Melhor época e quanto tempo ficar
Hiroshima e Miyajima funcionam o ano inteiro, mas duas janelas se destacam: a primavera (final de março a meados de abril), quando as cerejeiras florescem no Parque da Paz e na ilha; e o outono (meados de novembro), quando os momiji (bordos japoneses) tingem Miyajima de vermelho. O verão (julho–agosto) é quente e úmido, com temperaturas acima de 30 °C — visitável, mas cansativo para caminhar.
Em ritmo de bate-volta, um dia inteiro é suficiente para os pontos principais. Mas dormir uma noite em Hiroshima permite ver Miyajima com calma, pegar o torii na maré baixa (quando dá para caminhar até a base) e na maré alta (quando ele “flutua”). Dois dias completos cobrem tudo sem pressa, incluindo o Castelo de Hiroshima e trilhas em Miyajima como o Monte Misen.
O que ver em Hiroshima e Miyajima
Hiroshima: Parque Memorial da Paz
O Parque Memorial da Paz ocupa o epicentro da explosão de 6 de agosto de 1945 e reúne o Museu da Paz (entrada ¥200, julho/2026), o Cenotáfio, a Chama da Paz e a Cúpula da Bomba Atômica (Genbaku Dome), que é Patrimônio Mundial da UNESCO. Reserve pelo menos 2 horas para o museu — a exposição foi renovada em 2019 e é uma das mais impactantes do Japão. Chegue antes das 9 h para evitar os grupos de excursão escolar, que lotam o museu a partir das 10 h.
Miyajima: o torii flutuante e o santuário de Itsukushima
A ilha de Miyajima (nome oficial: Itsukushima) é famosa pelo torii vermelho de 16 metros que parece flutuar na água durante a maré alta. O Santuário de Itsukushima, também Patrimônio UNESCO, cobra ¥300 para entrar na estrutura sobre estacas (julho/2026). A ilha inteira se percorre a pé, e cervos sika circulam livremente pelas ruas — são mansos, mas proteja sua comida.

Além do torii, vale subir o Monte Misen (535 m) pelo teleférico Miyajima Ropeway (¥1.840 ida e volta, julho/2026) — o topo oferece vista para o Mar Interior de Seto e, em dias claros, até as pontes de Shimanami Kaido. A subida a pé pela trilha Momijidani leva cerca de 1 h 30 e passa por uma floresta de bordos espetacular no outono.
O que combinar no roteiro
Hiroshima e Miyajima encaixam naturalmente num roteiro maior pelo Japão. A combinação mais clássica é Kyoto + Hiroshima/Miyajima + Osaka, tudo conectado por shinkansen. De Hiroshima, dá para fazer um bate-volta a Onomichi (cidade costeira com templos em ladeira, 1 h 20 de trem) ou descer até Iwakuni para ver a ponte Kintaikyo (40 min de trem).
Se a viagem inclui Tóquio, o JR Pass de 7 dias cobre o trecho inteiro Tóquio–Kyoto–Hiroshima e de volta. Para quem faz Japão pela primeira vez, um roteiro de 12 a 15 dias com Tóquio, Hakone ou Kawaguchiko, Kyoto, Nara e Hiroshima/Miyajima cobre os grandes clássicos sem correria.
Onde comer em Hiroshima
Hiroshima tem identidade gastronômica própria, e o prato que define a cidade é o okonomiyaki estilo Hiroshima — diferente do de Osaka, que mistura tudo na massa, o de Hiroshima monta as camadas separadas: massa fina, repolho, broto de feijão, macarrão yakisoba, carne ou frutos do mar e ovo, tudo empilhado na chapa. O lugar mais famoso para provar é o Okonomimura, um prédio com 24 restaurantes de okonomiyaki perto do Parque da Paz.

Em Miyajima, a especialidade é o momiji manju — um bolinho em forma de folha de bordo recheado com pasta de feijão vermelho (anko), creme ou chocolate. Prove também as ostras grelhadas (kaki) na rua principal Omotesando, que são colhidas no mar ao redor da ilha. Um okonomiyaki em Hiroshima custa entre ¥900 e ¥1.500 (julho/2026), e os momiji manju saem por ¥100–150 a unidade.
Onde ficar em Hiroshima
Para quem vai fazer bate-volta de um dia, a base costuma ser Kyoto ou Osaka. Mas se optar por dormir em Hiroshima, a melhor localização é entre a Hiroshima Station e o Parque da Paz — a pé dá uns 20 minutos, e o bonde (streetcar) conecta os dois em 15 minutos por ¥220. Hotéis no estilo business japonês (Toyoko Inn, Dormy Inn) ficam entre ¥6.000 e ¥10.000 a diária (julho/2026) e costumam incluir onsen no terraço.
Em Miyajima também há ryokans (pousadas tradicionais) para quem quer a experiência de dormir na ilha — mas são mais caras (a partir de ¥15.000 por pessoa com jantar). A vantagem é ver a ilha quase vazia ao anoitecer e de manhã cedo, quando os turistas de bate-volta já foram embora.
Dicas práticas
Antes de ir a Miyajima, consulte a tábua de marés no site oficial da ilha — a diferença entre maré alta e maré baixa muda completamente a paisagem ao redor do torii. O ideal é chegar na maré baixa, caminhar até a base do torii, e ficar até a maré subir para ver o efeito “flutuante”.

O IC card (Suica, Pasmo ou Icoca) funciona nos bondes de Hiroshima e nas máquinas de venda, mas NÃO no ferry JR para Miyajima — lá é JR Pass ou bilhete avulso no guichê. Leve iene em espécie para Miyajima: muitas lojas pequenas e barracas de comida não aceitam cartão. E um detalhe que poupa tempo: o Museu da Paz aceita compra de ingresso online com hora marcada, o que evita a fila da bilheteria, especialmente na alta temporada.
Se quiser um guia local em português, a visita guiada por Hiroshima da Civitatis cobre o Parque da Paz com explicação histórica detalhada.
Perguntas frequentes
Dá para conhecer Hiroshima e Miyajima no mesmo dia?
Dá para conhecer Hiroshima e Miyajima no mesmo dia, sim. O trajeto entre as duas leva cerca de 35 minutos (trem + ferry). A maioria dos viajantes dedica a manhã ao Parque Memorial da Paz e ao Museu da Bomba Atômica em Hiroshima, e segue para Miyajima à tarde para ver o torii flutuante e o Santuário de Itsukushima.
O JR Pass cobre o ferry para Miyajima?
O JR Pass cobre o ferry da JR West para Miyajima, que cobra ¥200 por trecho para quem não tem o passe. O ferry da Matsudai Kisen, que opera na mesma rota, não é coberto pelo JR Pass. O ferry JR tem a vantagem de fazer uma rota que passa mais perto do torii flutuante.
Qual a melhor ordem para visitar Hiroshima e Miyajima?
A melhor ordem para visitar Hiroshima e Miyajima depende da tábua de marés. Se a maré baixa cai de manhã, comece por Miyajima para caminhar até a base do torii e deixe Hiroshima para a tarde. Se a maré baixa é à tarde, faça Hiroshima de manhã e Miyajima depois. Consultar a tábua de marés antes de montar o roteiro evita frustração.
Precisa do JR Pass para ir a Hiroshima?
Não é obrigatório ter o JR Pass para ir a Hiroshima, mas compensa financeiramente se a viagem incluir mais de dois trechos longos de shinkansen. O bilhete avulso Kyoto–Hiroshima custa ¥11.210 por trecho (julho/2026), então uma ida e volta já ultrapassa o valor do JR Pass de 7 dias para quem combina Tóquio, Kyoto e Hiroshima.
O que comer em Hiroshima que não tem em outro lugar do Japão?
O prato mais característico de Hiroshima é o okonomiyaki estilo Hiroshima, que se diferencia do de Osaka por montar as camadas separadas em vez de misturar na massa — inclui macarrão yakisoba, repolho, broto de feijão e ovo empilhados na chapa. O Okonomimura, prédio com 24 restaurantes especializados perto do Parque da Paz, é o ponto mais popular para provar.
Conclusão
Hiroshima e Miyajima se complementam de um jeito raro: a memória pesada do Parque da Paz e a beleza serena do torii sobre a água criam um contraste que fica com você. Com o JR Pass, o trajeto sai praticamente de graça, e um dia bem planejado (ou dois, se puder) cobre os dois destinos com folga. Para mais roteiros pelo Japão, explore os guias do Voyage Voyage.