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Seul 2026: Guia Completo para Planejar sua Viagem à Coreia

Para visitar a Coreia do Sul, brasileiros precisam preencher o K-ETA — uma autorização eletrônica de viagem que custa cerca de 10.000 KRW (por volta de US$9) e vale por três anos. É um passo simples, mas que pega muita gente desavisada: diferente de outros destinos asiáticos, o Brasil não está na lista de países temporariamente isentos dessa formalidade, então não dá para chegar em Seul sem ter resolvido isso antes.

Fora essa etapa burocrática, Seul entrega uma combinação rara: palácios reais de séculos atrás convivendo com uma das infraestruturas urbanas mais modernas do mundo, tudo conectado por um metrô eficiente e barato. O desafio aqui não é achar o que fazer — é decidir entre o lado histórico dos palácios e bairros tradicionais e o lado contemporâneo de bairros como Hongdae e Gangnam.

Este guia cobre os ingressos que valem reservar, o K-ETA e a logística do aeroporto de Incheon até o centro da cidade.

Palácio Gyeongbokgung e a troca de guarda gratuita

O Palácio Gyeongbokgung, o maior dos cinco palácios reais de Seul, cobra entrada de 3.000 KRW para adultos e 1.500 KRW para crianças — um dos ingressos mais baratos entre as grandes atrações turísticas da Ásia. Quem visita vestindo hanbok, o traje tradicional coreano, entra de graça, o que explica por que boa parte dos visitantes aluga uma roupa antes de ir.

O palácio funciona das 9h às 18h entre março e outubro, e das 9h às 17h de novembro a fevereiro, fechando às terças-feiras. A cerimônia de troca da guarda imperial acontece todos os dias (exceto terça) às 11h e às 15h, do lado de fora dos portões — não exige ingresso e costuma reunir bastante gente fotografando.

Palácio Gyeongbokgung em Seul
Foto: Pexels

Bukchon Hanok Village e os outros palácios de Seul

A poucos minutos a pé do Gyeongbokgung, o Bukchon Hanok Village preserva um conjunto de casas tradicionais hanok em ruas de subida, com vista para o palácio de um lado e os arranha-céus do outro. É um bairro residencial de verdade — moradores ainda vivem nessas casas —, então vale caminhar com calma e evitar horários de pico para não incomodar quem mora ali.

Para quem tem mais tempo, os outros quatro palácios reais de Seul (Changdeokgung, Changgyeonggung, Deoksugung e Gyeonghuigung) seguem uma lógica de preço parecida com o Gyeongbokgung. O Changdeokgung se destaca pelo Jardim Secreto (Huwon), que exige reserva separada e tem número limitado de visitantes por horário — vale reservar com alguns dias de antecedência se esse for o foco da visita.

Bem ao lado de Bukchon, o bairro de Insadong concentra galerias de arte, papelarias tradicionais e casas de chá centenárias — um bom contraponto mais calmo para quem já passou a manhã andando entre palácios. É também onde costuma se concentrar a venda de souvenirs com mais identidade local, longe das lojas de cosmético que dominam Myeongdong.

N Seoul Tower: a vista de Namsan

A N Seoul Tower, no topo do monte Namsan, é o mirante mais procurado da cidade. O ingresso para o observatório fica em torno de 10.000 a 21.000 KRW para adultos, dependendo do horário e do canal de compra, e a torre funciona das 10h às 23h. Subir de teleférico custa 10.000 KRW só ida ou 13.000 KRW ida e volta — alternativa a caminhar pela trilha do parque, que é gratuita mas exige mais tempo e disposição.

Os cadeados do amor, pendurados nas grades ao redor da base da torre, viraram um dos pontos mais fotografados de Seul — casais (e também grupos de amigos) escrevem mensagens e prendem o cadeado como símbolo de que a relação vai durar. É possível comprar o cadeado no próprio local.

Skyline de Seul
Foto: Pexels

Myeongdong, Hongdae e Gangnam: onde ficar em Seul

Myeongdong é a escolha mais segura para quem visita Seul pela primeira vez — central, bem servido por metrô, cheio de lojas de cosmético coreano e barracas de comida de rua que abrem até tarde. Hongdae, perto de uma das universidades de arte mais conhecidas do país, concentra a vida noturna mais jovem e os cafés temáticos que viralizam nas redes.

Gangnam, do outro lado do rio Han, é o bairro que ficou famoso fora da Coreia por causa da música pop, mas no dia a dia funciona como um distrito comercial e residencial de classe alta — vale a visita, mas não é necessariamente onde a maioria dos turistas de primeira viagem escolhe ficar.

Bairro Clima Indicado para Ponto de atenção
Myeongdong Central, comercial, turístico Primeira viagem, fácil acesso a tudo Movimentado e mais caro à noite
Hongdae Jovem, artístico, vida noturna Quem busca bares, cafés e música ao vivo Pode ser ruidoso de noite
Gangnam Moderno, comercial, sofisticado Compras de grife, clínicas de beleza Menos clima de bairro histórico
Bukchon Histórico, residencial, tranquilo Quem quer ver a Seul tradicional Pouca opção de hospedagem no bairro

Bate-volta para a Zona Demilitarizada (DMZ)

A Zona Demilitarizada que separa as duas Coreias fica a menos de uma hora de carro do centro de Seul, e os passeios guiados de um dia inteiro até lá estão entre os mais procurados por quem visita a cidade. O roteiro costuma incluir pontos como o Terceiro Túnel de Infiltração e a área de observação onde é possível ver o território norte-coreano à distância.

Por se tratar de uma área sob controle militar, o acesso só é permitido por meio de tours organizados, com documentação prévia e regras de vestimenta e comportamento mais rígidas do que em qualquer outro passeio turístico do país. Vale reservar com alguns dias de antecedência, já que a disponibilidade de vagas é limitada e varia conforme a situação de segurança na fronteira.

K-ETA e visto: o que verificar antes de embarcar

Brasileiros que vão à Coreia do Sul a turismo ou negócios por até 90 dias não precisam de visto consular tradicional, mas precisam solicitar o K-ETA com antecedência — o formulário é on-line, custa cerca de 10.000 KRW e a aprovação costuma levar poucos dias, mas vale folga no calendário para evitar imprevistos.

Alguns países tiveram a exigência do K-ETA suspensa temporariamente até o fim de 2026 para estimular o turismo, mas essa isenção não inclui o Brasil — então, para brasileiros, o K-ETA continua sendo obrigatório independente dessas notícias mais recentes.

Vale preencher o formulário com folga: embora a maioria das aprovações saia em poucos dias, há casos que demoram mais, e entrar no país sem o K-ETA aprovado pode significar ser impedido de embarcar já no check-in da companhia aérea, antes mesmo de chegar à imigração coreana.

Como chegar do aeroporto de Incheon

O AREX (Airport Railroad Express) liga o Aeroporto de Incheon à Estação de Seul de duas formas. O trem expresso, sem paradas, faz o trajeto em 43 a 51 minutos por 9.500 KRW; o trem que para em todas as estações (incluindo Gimpo e a região de Hongik University) leva de 56 a 60 minutos, mas custa bem menos, entre 4.150 e 4.750 KRW.

Para se locomover depois de chegar, o cartão T-money custa 5.000 KRW no próprio aeroporto (ou 2.500 KRW fora dele, em lojas de conveniência) e serve tanto para o metrô quanto para ônibus, com tarifa em torno de 1.250 a 1.350 KRW por viagem dentro da cidade.

Comida de rua coreana
Foto: Pexels

Melhor época para visitar Seul

O outono, entre setembro e outubro, costuma ser o período mais recomendado: temperaturas amenas (de cerca de 19°C em setembro a 7°C em novembro) e folhagem colorida nos parques e palácios. É também quando o céu fica mais limpo, sem o calor pesado do verão nem o frio cortante do inverno.

Para quem quer ver as cerejeiras floridas, a primavera (abril a maio) é a janela certa, embora a data exata varie um pouco ano a ano dependendo do clima. Já o período de junho a setembro traz a temporada de monção, com chuva mais frequente, e o inverno chega com temperaturas negativas que dificultam passeios longos ao ar livre.

Onde comer: tteokbokki, hotteok e a cultura de rua coreana

A comida de rua é parte essencial da experiência em Seul, especialmente em mercados como Gwangjang e Namdaemun, ou nas ruas de Myeongdong à noite. Tteokbokki (bolinho de arroz no molho picante), hotteok (panqueca doce recheada) e gimbap estão entre os pratos mais fáceis de encontrar, em geral por valores bem acessíveis comparados a um restaurante fechado.

Não dá pra pular o churrasco coreano (gogigui) também — grelhado na própria mesa, costuma ser pedido para compartilhar entre duas ou mais pessoas. E para quem gosta de uma pausa mais doce, as cafeterias temáticas de Hongdae e Seongsu viraram quase tão procuradas quanto os pontos turísticos tradicionais.

As lojas de conveniência também merecem nota — diferente do que costuma ser em outros países, na Coreia elas funcionam quase como uma opção de refeição rápida de verdade, com mesas para comer no local e máquinas de água quente para preparar lámen instantâneo. Para quem está com orçamento mais ajustado ou só quer economizar uma refeição, é uma alternativa válida sem abrir mão de comer bem.

Antes de ir

Perguntas rápidas

Preciso de visto para visitar a Coreia do Sul? Não, mas o K-ETA é obrigatório para brasileiros e precisa ser solicitado antes do embarque.

Vale a pena alugar um hanbok? Sim — além da entrada gratuita nos palácios, é uma forma comum (e bem vista) de viver um pouco da tradição coreana durante a visita.

Quantos dias são suficientes em Seul? Quatro a cinco dias cobrem os palácios principais, Namsan e pelo menos um bairro de vida noturna com calma.

Seul recompensa quem mistura tradição e modernidade no roteiro

Entre os palácios reais, a vista do alto da N Seoul Tower e os mercados de comida de rua, Seul entrega um equilíbrio raro entre história e uma das infraestruturas urbanas mais avançadas da Ásia. A cidade segue sendo um dos destinos que mais cresce em popularidade entre brasileiros, puxada pela música, pelos dramas e por uma cultura gastronômica que conquistou o mundo nos últimos anos.

Resolva o K-ETA com antecedência, reserve um hanbok para o dia dos palácios, e deixe pelo menos uma noite livre para caminhar por Hongdae ou Myeongdong sem pressa — é aí que a cidade mostra o lado que não aparece nos guias mais formais. E se ainda houver tempo de sobra no roteiro, vale considerar o bate-volta para a DMZ: é o tipo de passeio que muda a percepção de quem visita o país, ainda que não seja, no sentido convencional, um programa “turístico” como os outros deste guia.