Praia de água morna a poucos passos do centro histórico, castelo mouro com vista de tirar o chapéu (não o fôlego) e preços mais em conta do que Barcelona ou Ibiza: Alicante é a cidade da Costa Blanca que os brasileiros ainda descobrem tarde demais. Aqui vai o roteiro sem enrolação — o que ver, quando ir, onde comer e como sair da cidade sem perder dinheiro com passeio ruim.
Alicante combina praia urbana, um castelo do século IX com vista panorâmica gratuita e um centro histórico compacto que se percorre a pé em um dia — por isso funciona tanto como destino de 2-3 dias quanto como parada de um roteiro maior pela Espanha, com trem direto para Madri e Valência e ferry para a Ilha de Tabarca.
Como chegar a Alicante
O Aeroporto de Alicante-Elche (ALC) é o segundo maior da Espanha em voos internacionais de lazer e fica a apenas 10 km do centro. Do aeroporto, o ônibus C6 da linha Alicante Aeropuerto liga direto à cidade em cerca de 40 minutos, com passagem em torno de 4€. Táxi custa por volta de 20-25€ e leva 15-20 minutos.

Quem vem de trem tem opções diretas de Madri (cerca de 2h30 no AVE) e de Valência (por volta de 1h30), com chegada na Estación de Alicante-Terminal, a 15 minutos a pé do centro. Já quem viaja de carro pela Costa Blanca encontra a AP-7 conectando Alicante a Benidorm, Denia e Valência sem grandes desvios.
Melhor época e quanto tempo ficar
A primavera (março a junho) e o começo do outono (setembro e outubro) são os períodos mais equilibrados: temperaturas entre 20°C e 27°C, praia agradável e sem a lotação nem os preços inflados do verão europeu. Julho e agosto sobem facilmente dos 30°C e enchem tanto a Playa del Postiguet quanto os restaurantes do Barrio.

Dois dias inteiros bastam para cobrir castelo, centro histórico e praia sem correr. Quem tem três dias consegue encaixar uma excursão a Tabarca ou ao interior — Guadalest e as Fontes do Algar — sem abrir mão de nenhuma das paradas principais na cidade.
O que ver em Alicante
Castelo de Santa Bárbara
Fortaleza construída sobre uma ocupação muçulmana do século IX, no alto do monte Benacantil. A entrada é gratuita e o acesso pode ser feito a pé (subida de cerca de 30-40 minutos por trilhas e escadarias) ou de elevador, que parte da Playa del Postiguet e cobra em torno de 2,70€ o trecho de subida. Do topo, a vista alcança o centro histórico, o porto e a costa até Santa Pola em dias claros.
Barrio de Santa Cruz
O bairro antigo sobe pela encosta abaixo do castelo, com ruas estreitas, casas coloridas e vasos de flores nas fachadas. É onde a cidade rende as fotos mais bonitas e onde vale simplesmente perder-se sem roteiro fixo, sobretudo no fim da tarde, quando o sol baixo ilumina as fachadas.

Explanada de España e Mercado Central
A Explanada é o calçadão de pedras portuguesas em mosaico ondulado que corre paralelo ao porto — ideal para caminhar ao entardecer, com bancas de artesanato e terraços de café. A dois quarteirões dali, o Mercado Central, aberto desde 1921 e com fachada modernista, é o lugar certo para provar frutos do mar frescos e petiscar sem gastar muito.
MACA e Basílica de Santa Maria
O Museu de Arte Contemporânea de Alicante (MACA) ocupa um antigo depósito de grãos do século XVIII no Barrio e reúne obras de Dalí, Miró e Picasso em um acervo pequeno, mas surpreendente para uma cidade de porte médio — entrada gratuita a maior parte do ano. Bem próxima, a Basílica de Santa Maria, erguida sobre uma antiga mesquita, é o templo gótico mais antigo da cidade e vale uma parada rápida entre um ponto e outro do Barrio.
Ilha de Tabarca
A única ilha habitada da Comunidade Valenciana fica a cerca de 20 km do centro e é acessível por ferry direto do porto de Alicante, com travessia de cerca de 1 hora. Águas claras, poucos habitantes fixos e um casco antigo fortificado fazem dela um bom programa de dia inteiro, especialmente entre maio e setembro.
O que combinar com Alicante
Quem tem um dia livre pode reservar uma excursão a Guadalest e às Fontes do Algar, no interior montanhoso da Costa Blanca — o vilarejo de Guadalest é conhecido pelo castelo suspenso sobre a rocha e pelas vistas do reservatório azul-turquesa logo abaixo.
Para quem prefere passeio guiado sem se preocupar com logística, um free tour a pé pelo centro histórico cobre castelo, Barrio e Explanada com guia em português ou espanhol, e funciona bem como primeiro contato com a cidade no dia de chegada.
Onde comer em Alicante
Alicante é terra do arroz — e aqui a paella divide espaço com o arroz a banda (cozido no caldo de peixe, servido sem os frutos do mar misturados) e o arroz negro com tinta de lula. Os restaurantes ao redor da marina e no Barrio servem essas versões, com preço médio de 15-20€ por prato principal em casas de bom nível.
O Mercado Central, além de ponto turístico, funciona como refeição rápida e barata: bancas de tapas e frutos do mar no andar de baixo, com preços de bar (petiscos a partir de 3-5€) e ambiente mais autêntico que os restaurantes voltados para turistas na Explanada.
Onde ficar em Alicante

O Centro/Casco Antiguo é a base mais prática: a pé do castelo, da praia e da estação de trem, com boa oferta de hotéis de médio custo. Já a região da marina e do porto agrada quem quer vida noturna e restaurantes de frutos do mar a poucos metros da hospedagem. Quem busca sossego e não se importa em pegar ônibus ou bike até o centro pode considerar bairros mais residenciais como Playa de San Juan, com praia mais extensa e menos urbana que o Postiguet.
Dicas práticas
O elevador do castelo tem fila reduzida antes das 10h — chegue cedo para evitar o horário de maior movimento, entre 11h e 14h. Alicante é pequena o suficiente para ser percorrida a pé: o centro, o Barrio e a praia ficam a uma caminhada de 15-20 minutos entre si, sem necessidade de transporte na maior parte do roteiro. Guarde dinheiro trocado para as bancas do Mercado Central, já que boa parte não aceita cartão em compras pequenas.
O transporte público da cidade é administrado pela TAM (Transporte Metropolitano de Alicante) e cobre bem tanto o centro quanto os bairros mais afastados como a Playa de San Juan — um bilhete avulso custa cerca de 1,45€, mas quem fica mais de dois dias economiza com o cartão recarregável vendido em bancas de jornal e postos da TAM. Para quem chega em alta temporada, vale reservar hospedagem com pelo menos um mês de antecedência, já que Alicante recebe forte procura de espanhóis e europeus do norte fugindo do inverno em seus países.
Brasileiros não precisam de visto para estadias turísticas de até 90 dias na Espanha e no restante do Espaço Schengen — confirme sempre as regras vigentes no site oficial do Ministério das Relações Exteriores antes de viajar, já que exigências de documentação podem mudar. Vale levar também um seguro-viagem com cobertura médica, prática comum e às vezes exigida na imigração para turistas de fora da União Europeia.
Para quem quer ver todas as opções de passeios disponíveis na região antes de decidir, vale conferir o catálogo completo abaixo:
Perguntas frequentes
Quantos dias preciso para conhecer Alicante?
Dois dias cobrem o essencial — castelo, centro histórico e praia. Com três dias dá para incluir Tabarca ou uma excursão ao interior da Costa Blanca.
Alicante é uma boa base para conhecer a Costa Blanca?
Sim. A cidade tem trem e estrada bem conectados a Benidorm, Denia e Elche, além de ferry para Tabarca, o que permite explorar a região sem trocar de hospedagem.
É melhor visitar Alicante ou Valência?
São destinos complementares, não concorrentes — Alicante tem praia urbana e castelo, Valência tem a Cidade das Artes e Ciências e mais vida cultural. Quem tem tempo, encaixa as duas com o trem de 1h30 entre elas.
A praia de Alicante é boa?
A Playa del Postiguet, principal praia urbana, tem areia dourada e mar tranquilo, mas fica cheia no verão. Quem busca mais espaço encontra na Playa de San Juan, um pouco mais longe do centro.
Conclusão
Alicante entrega praia, história e boa comida sem o preço nem a lotação de destinos mais famosos da Espanha — e ainda funciona como porta de entrada para toda a Costa Blanca. Se este roteiro te ajudou a organizar a viagem, continue explorando outros destinos espanhóis aqui no voyagevoyage.